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Crítica | O mínimo para viver traz a anorexia para pauta

Original da Netflix, O Mínimo para Viver foi lançado no início de julho e traz um debate importante sobre anorexia. A história se foca em Ellen, interpretada por Lily Collins (de Ligados pelo Amor), uma jovem que mora com o pai — que se mostra tão presente na vida da garota que apenas é citado ao longo do filme — , a madrasta e a irmã porque sua mãe não soube mais lidar com sua doença.

Após algumas internações sem resultado, a solução aparece na forma de um novo médico. Dr. William Beckham, interpretado por Keanu Reeves (de Matrix e John Wick), trabalha com um tratamento não convencional, que promete colocar seus pacientes frente a frente com a vida — e isso necessariamente significa enfrentar, de frente e sem meia palavra, a sua condição.

Ellen acaba por concordar, e é internada numa casa com pessoas em condições similares. É lá que conhece Luke, interpretado por Alex Sharp, e conhece pessoas que estão em níveis diferentes de enfrentamento, cada uma tentando seguir em frente da forma que pode.

Com 107 minutos, o filme retrata de forma direta a anorexia. Com direção e roteiro por conta de Marti Noxon (roteirista também em O Castelo de Vidro, Objetos Cortantes e Mad Man), as cenas são bem exploradas e o desenvolvimento da personagem é natural, com altos e baixos.

Em alguns sentidos, o filme é bastante previsível, e acredito que o final poderia ter sido melhor explorado; inclusive o achei um tanto irresponsável. Uma cena específica (sem spoilers, juro) desses últimos momentos ficou bem tosca, ainda que tenha uma justificativa decente, e poderia ter sido trabalhada de outra forma.

As interpretações estão boas, ainda que não tenha nenhuma que seja particularmente excepcional. Lily Collins foi a que mais se destacou para mim, talvez pelo papel que exigia que ela demonstrasse o lado realista da anorexia, sem enfeites ou palavras suaves. Liana Liberato (que esteve também em Se eu ficar) interpretou Kelly, meia-irma de Ellen, e também ficou bem no papel, sendo aquele único braço aparentemente são na vida da personagem.

Senti falta também de uma exploração maior sobre os motivos que startaram a doença em Ellen. As demais personagens não foram muito exploradas também, e sabemos muito pouco sobre elas, suas histórias e o que as levaram até aquele ponto. Algumas informações são jogadas ao longo da narrativa, como a questão do tumblr da personagem principal, mas não são de fato trabalhadas.

É um filme bom, que traz para a cena debates muito importantes e expõe uma doença que também é jogada para debaixo dos tapetes, mas sem dúvida poderia ser melhor. Ele deixa, entretanto, uma mensagem muito importante: procurar ajuda é imprescindível.


NOTA ★★

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