Literatura

Resenha | A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista

Delicado e romântico, A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista é, sem sombra de dúvida, um dos melhores livros que já li. Sempre fui adepta de histórias simples e encantadoras, pelo menos comigo elas tocam os sentimentos mais profundos. Foi exatamente com esse tipo que me deparei.

– Exatamente. E minha família com certeza não é igual a que eu desenhava.
– Bonecos de palito?
– Por favor – diz ele -, me dê um pouco de crédito. Eles tinham mãos e pés também.

Em apenas 24 horas, Hadley, uma garota de 17 anos, vê seu mundo mudar de cor. Quatro minutos atrasada, ela perde o avião para Londres – onde será o casamento do pai – e se vê tendo que esperar três horas para o próximo vôo. É quando, pelo mero acaso, conhece Oliver, um estudante de Yale bonito e bem humorado.

Uma situação com a mala faz com que os dois se aproximem e acabem indo lanchar enquanto esperam pelo embarque. A surpresa de estarem indo para o mesmo lugar, e sentados em cadeiras tão próximas (18A e 18C) os leva a uma conversa de mais de sete horas.

Ficou repetindo para si mesma que era apenas uma piada, mas, mesmo assim, a ideia de os dois cruzarem o país juntos, escutando música, enquanto o horizonte ia passando, foi suficiente para fazê-la sorrir.

Sentados lado a lado, graças a uma senhora que não se importou em ficar no assento do corredor, eles falam sobre os medos de avião e escuro, sobre um elefantinho de pelúcia que era o melhor amigo de uma criança e sobre o filme ridículo de patos que vai passar durante a viagem.

Jennifer nos envolve em uma realidade na qual o acaso faz uma parte do trabalho, e o amor, a esperança de um reencontro, faz a outra.

A simplicidade das conversas e das situações dão ao livro um ar diferente, arrisco dizer que mais bonito e apresentam aos leitores uma pureza pautada em sentimentos despertos de forma tão rápida e, incrivelmente, tão verdadeira.

Não se trata de personagens muito complexos e profundos. Não tomamos conhecimento do que vai além do necessário. Não passamos páginas apreciando uma enrolação gostosa. Lemos fatos, o importante para justificar a viagem e os sentimentos de Hadley (e até mesmo de Oliver, ainda que não em sua totalidade).

As pessoas falam sobre livros como meio de fuga, mas ali no metrô o livro faz o papel da própria linha a vida.

A separação de seus pais não foi muito bem aceita por ela, que se lembra dos dias de raiva e dor, dela e da mãe; da troca temporária de papéis entre elas para superar a partida do pai. Agora, ele vai casar novamente, e Hadley sente raiva do homem que estragou a espécie de perfeição na qual vivia.

Jennifer mostra uma transformação, explica como tudo que precisamos é apoio. Resumindo em uma frase presente no próprio livro, mesmo que retirada de “Nosso Amigo Comum”, último romance completo de Dickens: “É de muita utilidade neste mundo aquele que torna mais leves os sofrimentos dos outros.”

Talvez o amor seja simples. Talvez o importante seja entender como, em sua complexidade aparente, ele pode ser belo. E, talvez, Oliver e Hadley sejam um pouco de tudo que realmente procuramos em uma relação. Não porque na sua forma são perfeitos, mas porque notamos que não o são.

[…] Nunca percebeu, como hoje, o fato de que minutos viram horas, de que meses poderiam rapidamente ter virado anos, o quão perto esteve de perder uma coisa muito importante para o movimento incessante do tempo.


resenha escrita originalmente em 2013

Nota ★★★★★

Carioca apaixonada por marketing na casa dos 20 e tantos com uma grande incapacidade de ficar parada e uma vontade louca de conhecer o mundo.

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