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Resenha | Alucinadamente Feliz, de Jenny Lawson

Precisei apenas das primeiras páginas para entender: Alucinadamente Feliz foi a escolha certa para mim. Mais algumas páginas e eu tinha certeza: esse livro é ideal para toda e qualquer pessoa que saiba, na pele, o que é lidar com transtorno de ansiedade e depressão (dentre vários outros).

Já escrevi sobre o que passei quando tive depressão, e esse livro coloca em palavras exatamente o que venho tentando praticar desde quando comecei a melhorar. É um pouco sobre ter esperança quando as coisas ficam muito difíceis, porque às vezes ficam. É sobre fazer o que nos faz feliz, sem ficar pensando em como isso vai parecer para o outro.

“Chove um pouquinho na vida de todo mundo – chovem chuva, babacas e todo tipo de merda […] Todos nós temos a nossa cota de tragédia, insanidade ou drama, o que faz toda a diferença é o que fazemos com esse horror.”

É sobre nomear as coisas. Não é falar, com uma pose triste e de autopiedade, que tem ou teve algum transtorno. Nunca conheci alguém que enfrentasse isso que esperasse dos outros um carinho na cabeça e um olhar de pena – nós aprendemos a conviver com isso, mas não é o que realmente queremos. É assumir uma dificuldade e pedir ajuda para superá-la – e isso nem sempre é fácil. Geralmente, inclusive, não é.

Alucinadamente Feliz também é extremamente engraçado. Mesmo. Jenny Lawson entende as próprias doenças, sabe como lidar com cada uma delas e o que precisa fazer para conseguir lidar com tudo isso. Sabe que, muitas vezes, a melhor opção é se entregar por alguns momentos e depois recomeçar.

Não sei até que ponto pessoas que nunca precisaram viver essas experiências vão entender exatamente o que Jenny fala, mas o livro é perfeito em todos os sentidos para quem precisa de uma força.

Afinal de contas, as pessoas mais interessantes já foram quebradas, consertadas e quebradas outra vez.

Com isso, passamos pelo dia a dia de Jenny, com ela citando Neil Gaiman como amigo próximo e nos deixando extasiados, falando sobre o guaxinim que ganhou de presente e contando conversas (reais e mentais) com a própria psiquiatra.

Passamos por momentos de indignação, quando Lawson fala abertamente sobre as verdades de se ter um transtorno e como as pessoas reagem à isso, e de alegrias, quando ela consegue superar momentos desafiadores (como um jantar só com pessoas importantes).

Livro recomendadíssimo. É impossível não rir ou não encontrar um conforto. Não estamos sozinhos na luta.

Quando compartilhamos nossas batalhas, outras pessoas reconhecem que podem compartilhar as suas. E, de repente, percebemos que as coisas que nos envergonham são as mesmas que todo mundo enfrenta uma hora ou outra. Estamos muito menos sós do que pensamos.

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