Críticas,  Literatura

Resenha | Série Imortal, de Stacey Jay

Eu, particularmente, gostei do subtítulo do livro e foi — ironicamente — amor à primeira vista. Julieta Imortal conta a história de, claro, Julieta Capuleto, cujo amor era Romeu Montecchio, e o fim trágico escrito por Shakespeare realmente aconteceu. Não daquela forma, não tão encantadoramente romântico e muito menos foi uma decisão fácil, a briga entre Embaixadores e Mercenários nunca deixou a morte de almas gêmeas ser fácil.

Acontece que ao matar Julieta, sim, Romeu a matou, ele optou por uma vida eterna ao lado dos Mercenários, enquanto os Embaixadores chegaram à Julieta e a fizeram lutar por quase setecentos anos em nome de uma única coisa: o amor.

Entretanto, até que ponto seu não entendimento sobre o que realmente acontecia a ajudou? Ela conseguiu fazer diversas almas gêmeas ficarem juntas enquanto lutava, sem grandes poderes, contra Romeu, que tinha a missão de separá-las. Até que ponto as vitórias foram suficientes para a fazer esquecer, superar o que havia acontecido?

Agora, no corpo de Ariel, ela encontra os encontra novamente: Romeu e o amor. Ben ajuda Ariel, ou melhor, Julieta, e torna-se inevitável resistir à imperfeição. Ben não é perfeito, mas não se assustou ao ver Ariel, não fugiu quando viu sangue, ele cuidou.

Para sempre. […] A mentira que ele me fez repetir. Ele quase não mudou, com exceção da sua mente doentia e das suas centenas de anos de vida. Mas não sou. Agora pensar em algo que seja para sempre me deixa cansada. Apavorada. Triste. Para que serve a imortalidade, quando o amor é tão frágil e nenhuma vida humana tão longa?

E é a partir desde pequeno ato que Julieta começa sua missão com o pé esquerdo. E se as pessoas tiverem mais de uma alma gêmea? E se Ben for, ao mesmo tempo, sua alma gêmea e a alma gêmea de quem deve ajudar? Ela se vê em um dilema que paira entre fazer sua missão na Terra bem feita, rápida, e sem ajuda; ou render-se ao amor novamente. Com toda a consequência que isso pode trazer, aos dois.

O livro tem uma história ótima, inovadora e surpreendente em muitos aspectos. É daqueles que você pega para reler depois, ver se deixou algo passar, e termina dando um gostinho de “wow”.

Só não achei a escrita de Stacey Jay excelente e esse é meu único contra, alguns momentos quem o sustenta é somente a história, não o jeito da escritora de colocar em palavras as situações. Fez-me perguntar até que ponto as confusões criadas foram feitas propositalmente ou foram consequências de pedaços deixados pendentes. A leitura, num todo, é bem fraca.

ROMEU IMORTAL

Livro Romeu Imortal
Romeu está sobrevivendo, se é que podemos usar essa palavra, sob uma de suas piores formas, esperando pelo dia de que algo possa mudar, afinal, não há nada mais que ele possa fazer. Esse dia chega quando a Enfermeira de Julieta, uma Embaixadora, faz uma proposta: fazer com que Ariel apaixone-se por ele, passando a acreditar no amor e ser capaz de tudo em nome dele, em troca ele poderá se tornar um Embaixador.

A ideia parece tentadora, e mesmo tendo suas desconfianças de que Mercenários e Embaixadores não sejam tão diferentes assim, ele aceita. Agora, o homem que não sentia absolutamente nada — sequer um toque — tem a chance de ter uma experiência com todos os sentidos novamente. Algo perigoso quando se trata de Romeu e Ariel.

Stacey já tinha deixado claro que Romeu não ficaria com Julieta, o que a princípio não me pareceu uma ideia tão boa assim. Todavia, ao contrário da história de Julieta Imortal, a história de Romeu me encantou do início ao fim, certamente tornando o novo casal muito mais aceitável e também muito mais romântico.

Em Romeu Imortal, a escrita teve uma melhora considerável, achei que ficou mais fácil de prosseguir com a história já que estava tão envolvida com ela, algo que não ocorreu no primeiro livro. Romeu me passou muito mais sentimento, emoção e desenvolvimento que Julieta.

Às vezes Ariel se desencaminhou, creio que Stacey acertou quando não apostou em um amor com muita turbulência em si mesmo. O sentimento de Romeu e Ariel é firme desde as primeiras linhas, quando ainda está se desenvolvendo, recuperando as forças (para Ariel) e criando raízes (para Romeu). É a força desse amor contra o resto que tenta manipular, e quando faz isso, Jay acerta e muito na narrativa.

Uma coisa que não gostei e não sou nada a favor foi a tradução do título. “Romeu Redimido” dá um ar muito diferente e tem muito mais a ver com o livro e, digamos, sua função.


NOTA DA SÉRIE ★★

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