Críticas,  Literatura

Resenha | Trilogia Cinquenta Tons, de E.L. James

Um dos livros mais vendidos do mês gera uma dúvida em seus futuros leitores: a repercussão é devido o livro em si ou ao assunto polêmico? Erótico acima de romântico, E. L. James prepara seus leitores para uma história um tanto diferente em suas entrevistas, admitindo que a trilogia surgiu da curiosidade por situações, digamos, não convencionais.

Como se “sexo” não fosse, por si só, um assunto ainda muito polêmico — não cabe aqui discutir motivos, razões ou comparar à sociedade atual — o livro fala de sadomasoquismo de forma extremamente sexy utilizando basicamente duas personagens: Cristian Grey, o homem jovem, rico, misterioso, pelo qual todas as leitoras se apaixonarão, e Anastasia, a inteligente, ingênua e totalmente inexperiente.

Não querendo entregar a história, não pretendo falar muito dela. Eles se conhecem pelo acaso e, desde o início, a tensão sexual predomina na troca de olhares, nos toques ao acaso e na conversa que, na teoria, não deveria ser muito complicada.

Ana, ou Anastasia, é o tipo de mulher que acredita no amor e quer exatamente isso para si. Por ironia do destino, apaixona-se por Cristian, que diz “não namorar”. Opostos se atraem (ou algo similar a isso), o amor de ambos surge mesmo que sob formas diferentes.

Ele tem uma história, e, como sempre, ela faz dele quem ele é. Sua vida é um mistério, assim como os caminhos que percorreu para chegar ao que é. Ana, todavia, está apaixonada. Perdidamente. E mulheres perdidamente apaixonadas geralmente não desistem, procuram outros pontos de vista e ainda aceitar o que para ele é essencial.

Ela, importante dizer, não se anula totalmente, ela ainda tem opiniões, vontades, pensamento e personalidade fortes. Exatamente o que o atrai tanto e o faz arriscar ir além do que ele jamais foi para poder estar com ela.

Erótico, sim. Cinquenta Tons de Cinza contém sim muitas cenas quentes. Todavia há algo por trás que nos motiva a continuar lendo: queremos saber mais sobre ele, queremos saber se eles se tocaram que aquilo que sentem é o que chamam de amor e que podem usá-lo para superar as diferenças, queremos saber até que ponto um pode abrir mão pelo outro, até onde estão dispostos a ir pelo outro.

Ficamos curiosos, queremos chegar à próxima página não porque queremos ler mais uma forma diferente de sexo, mas sim porque queremos descobrir o desenrolar daquela história. Coisa que, vou prevenindo, acredito mesmo que só o último livro vai poder nos satisfazer.

Por tudo isso, mais pela história que pela escrita da autora — que, apesar de boa, não é excelente — o livro merece sim 5+ estrelas na minha opinião.

Ele poderia ser melhor em alguns aspectos, certamente ele não é totalmente positivo, tem seus pontos fracos, principalmente quando falamos na forma da narrativa e frases meio soltas que às vezes fazem o favor de estragar o clima da leitura, todavia, em seu contexto geral, me é impossível dar uma nota menor.

CINQUENTA TONS MAIS ESCUROS

Livro Cinquenta Tons Mais Escuros
A continuação de Cinquenta Tons de Cinza me surpreendeu. Como estava esperando um livro do mesmo nível, ou mais baixo, que o anterior, quando peguei o segundo da trilogia me surpreendi ao não consegui largá-lo por dois dias inteiros, até ter encerrado sua leitura e estar esperando, ansiosa, o próximo e último.

Felizmente James não se preocupa em nos deixar muito distante de nosso casal favorito. Mesmo após a separação do último livro, Christian logo faz uma nova proposta para trazer sua Ana de volta para onde ela sequer devia ter saído: sua casa. Ao mesmo tempo, nos deparamos com uma Ana menos inocente, mais disposta a encara tudo por Grey.

Todavia, em Cinquenta Tons Mais Escuros, a história tem algo a mais, não é apenas a preferência sexual do homem mais sensual dos livros, mas também seu passado e a forma que ele se decide lidar com o mesmo para conseguir ter ao seu lado a mulher que ama, ao mesmo tempo que continua tendo um relacionamento bom para si mesmo.

Não só, ainda há Leila e Elena, duas mulheres que aparentam muito e, o próprio Sr. Grey já provou, aparências não são tudo nesse meio. Exceto quando se é Ana Steele ou José, que finalmente terá sua exposição de belos quadros.

Como no primeiro, James encanta sim, conquista sim e traz uma leitura tão apaixonante quanto divertida, ainda que use muitos termos repetidos, não seja tão criativa — exceto nas cenas sensuais, aí ela com certeza é -, mas sim, conta uma história coerente e a segue até o fim. Entrou para os favoritos, com certeza.

CINQUENTA TONS DE LIBERDADE

Livro Cinquenta Tons de Liberdade
Christian Grey e Anastacia Steele agora fazem parte de uma única família. Casados, morar junto não passa a ser uma questão de Ana ser tratada como submissa — ainda que Grey nunca deixe de lado seu lado controlador.

E.L.James nos presenteia com um último livro um pouco mais aventurado, ainda que sem grandes novidades pelo lado literário. Os mesmos defeitos que vimos ao longo da série permanecem: as repetições incansáveis e cenas repetidas de formas diferentes são as principais críticas. Todavia, se tem algo que E.L. sabe fazer — e sabe fazer bem — é prender e encantar o leitor.

Os Grey nunca foram tão presentes e tão interessantes. Cinquenta Tons de Liberdade é um livro que queremos ler e chegar ao seu final ao mesmo tempo que não queremos nunca terminá-lo, são personagens que não queremos abandonar e tirar de nosso cotidiano de leitura.

Mulheres que se encantaram com o homem dominador que fechou uma porta e disse que só a abriria ao fazer Ana se satisfazer e, queiram ou não, quebrou tabus — não pelo lado violento, mas sim pelo lado “baunilha” de ser e de fazer sexo, nunca deixando a vida cair na mesmisse.

Christian finalmente declara seu grito de liberdade, principalmente quando se depara com uma Anastacia grávida e nem um pouco disposta a abrir mão de seu trabalho para fazer o bem para o outro.

Ele aceita que pode ser amado, e que de fato o é, enquanto Ana está mais madura a ponto de entender que há limites para sua desobediência e aprende a dizer “não” — ainda que demore um pouco.

Provam que o casamento é uma união simples e complexa ao mesmo tempo, de amor e construção, que o casal precisa de paciência para fazer dar certo. E.L. surpreende com o final, faz nossas mãos tremerem, os olhos encherem de água e a gente pensar: “ah não! acabou?!”.

E… Bom, acabou. Ainda que um livro com suas falhas, e sem interesse de ser profundo, ele talvez tenha explorado um pouco mais os relacionamentos. Afinal, não é sobre isso que fala a trilogia?


NOTA DA TRILOGIA ★★

Carioca apaixonada por marketing na casa dos 20 e tantos com uma grande incapacidade de ficar parada e uma vontade louca de conhecer o mundo.

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