Críticas,  Literatura

Resenha | Trilogia Mara Dyer, de Michelle Hodkin

É difícil categorizar A Desconstrução de Mara Dyer e não posso justificar para não dar muitas pistas do que acontece. Entretanto, posso dizer que ele tem um toque de thriller e bastante de romance.

Para este, eu chamaria de new adult pelo simples fato de se encaixar na descrição do gênero e ter o romance desenvolvido quase que da mesma forma. Quase. Porque nada em Mara Dyer é igual ao que você já leu

Bem vindo ao universo de Mara, uma garota que acordou em um hospital para saber que sua melhor amiga tinha morrido, junto a seu namorado e outra pessoa, enquanto ela não teve ferimentos tão absurdos assim.

Claro, perdeu a memória daquele dia, mas o que é isso comparado à morte? Para lidar com a situação da melhor forma possível, ela pede um favor à mãe e é atendida.

Uma corrente viajou das pontas dos dedos até o vazio que costumava ser meu estômago. E simplesmente assim, eu era total, completa e inteiramente,
Dele.

Após tanta dor e sofrimento, ela começa a achar que a mãe está certa. Tem algo realmente errado e talvez, só talvez, ela devesse se render à ajuda de um profissional.

Ela não quer mais ver aquele olhar no irmão mais novo, nem ser a preocupação constante de Daniel, o irmão mais velho. Ela também não quer se afastar Noah, e sua insanidade está a levando aos limites.

É isso que Michelle Hodkin nos faz encarar ao longo do livro, que se inicia com uma inocente brincadeira numa tábua ouija — coisa que, diga-se de passagem, Mara não estava de acordo.

Michelle nos apresenta a morte e a vida de forma impressionante: são pessoas morrendo sem maiores explicações enquanto a personagem principal tenta reaprender a viver.

Para isto, Dyer encontra um cachorro com quem gostaria de passar o tempo, encara os irmãos de um jeito diferente e se apaixona por um garoto que esconde tantos segredos quanto ela.

Não nos apegamos só à ele e ao romance, a todo momento queremos entender o que a autora está mostrando, percebendo detalhes e torcendo para que eles façam sentido. E, eventualmente, eles fazem.

— Você é mau — declarei.
Em resposta, Noah sorriu e ergueu o indicador para bater de leve na ponta do meu nariz.
— E você é minha — falou, e então foi embora.

Mais que um thriller, Michelle faz de “A Desconstrução de Mara Dyer” um romance com um desenvolvimento e certo foco romântico, ainda que explore as lembranças aterrorizantes do dia fatídico e, ainda, elabore fatos que queremos entender em sua plenitude.

O livro não é exatamente simples, mas prende nossa atenção do início ao fim, faz-nos desejar ter o próximo em mãos e rezar para que o terceiro e último seja logo lançado.

É daqueles que a gente quer ter em casa, guardado como uma lembrança de uma boa história e uma releitura prazerosa. Indico para quem não quer mais do mesmo, ainda que — como eu — seja apaixonada por esse “mesmo”.

A Evolução de Mara Dyer

Trilogia Mara Dyer

Eu sabia que a continuação seria como a primeira: tiro e queda. Começar a ler, não parar até acabar e ficar ansiosa esperando o terceiro. Claro que eu não imaginava nem de perto aquele final, muito menos considerei que pudesse ficar tão louca quanto Mara, mas, bom, esse é um dos talentos de Michelle Hodkin.

Se você gostou um pouquinho ou se apaixonou por A Desconstrução de Mara Dyer, então prepare-se psicologicamente para este livro. Começamos a leitura encontrando Mara Dyer na ala psiquiátrica, sem saber como foi parar lá.

Não nos custa muitas páginas para começar a entender como toda a situação se desenrolou e logo percebemos o começo de toda a história: Jude Lowe. Seu ex-namorado está vivo, aparecendo para ela, e ninguém acredita. Também, como poderiam se ele perdeu as mãos e o garoto que ela diz ser ele as têm?

Certamente não seria possível que sua mãe, seu pai (que vai ficar bem, obrigada por lembrar) ou qualquer um de seus irmãos caíssem nesse papo. Entretanto Noah sim. Afinal, ele sabe o que é ter dons. Entende porque ela pode parecer louca e dá à ela seu voto de confiança. Além de uma promessa: mantê-la segura.

A Evolução de Mara Dyer é daqueles livros que você lê, termina e mal percebe que se passaram 400 páginas. Era uma vez uma manhã, que quando você notou já era o dia seguinte e você estava atrasada para o trabalho e com muito sono. Porque é isso que o livro faz com você.

Noah continua tão incrível quanto antes. Gosto de sua personalidade, as tiradas e ações. Principalmente gosto de como ele não se deixa envolver por tanto drama desnecessário, acatando aqueles que fazem parte da trama e nenhum mais.

Gosto também de Mara e sua possível loucura. Ela é esperta e sabe como deve agir para conseguir o que quer, mesmo que precise de uma ou outra ajuda para atingir seus objetivos. Mais ainda que gostar das personagens principais, gosto de como todas as se entrelaçam, relacionam-se.

Michelle Hodkin conseguiu pegar a narrativa tensa, um tanto dark, e deixá-la ao mesmo tempo romântica o suficiente para fazer qualquer leitora ficar apaixonada. E, ei, não estou nem falando de paixão adolescente, ok? Apesar desta ser totalmente possível também. Refiro-me à paixão pela história em si, pela narrativa.

Sem dúvidas, A Evolução de Mara Dyer se tornou um dos meus livros favoritos. Ao juntar tantos elementos em um livro, sem deixá-lo sobrecarregado, conseguiu um espaço super especial na minha estante.

Por sinal, preciso dizer que não sentia nada assim desde Divergente… O mínimo que posso falar é: peguem o livro e comecem a ler HOJE. Depois venha conversar comigo que estou doida para compartilhar umas teorias enquanto o último livro não sai.

A Vingança de Mara Dyer

Trilogia Mara Dyer

Meu caso de amor com Mara Dyer começou sem nenhuma expectativa. O primeiro livro me encantou muito, o segundo confirmou o relacionamento e o terceiro oficializou o casamento. Sim, Mara Dyer é bom neste nível. E, se você chegou até aqui, então já sabe o que faz dessa série tão única.

A Vingança de Mara Dyer começa de forma bizarra — algo bem comum para a série -, do tipo que deixa a pele um pouco arrepiada até você entender o que está acontecendo. E senta aí, porque vai demorar um pouco. Mara acorda em um lugar sem vida, mal conseguindo controlar seu próprio corpo. Ela percebe que estão fazendo testes, injetando soluções estranhas em seu corpo e não consegue fazer nada para mudar isso: seu corpo não reage.

Há coisas que as pessoas que você ama jamais devem vê-lo fazendo.

Ela é expectadora da própria vida, até que quem menos se espera aparece para lhe dar uma solução. É graças a essa pessoa que ela consegue as ferramentas necessárias para encontrar Jamie e Stella, que estiveram com ela antes de Horizontes ruir, e só então, em um ritmo frenético, a aventura recomeça. Eles precisam se encontrar e achar a saída antes que a Dra. Kells reapareça e coloque tudo “nos trilhos” novamente.

E, tentando a todo custo evitar spoilers, termino a explicação do livro aqui. Bem no começo da resenha, falei sobre o início lento do livro e preciso explicar: os primeiros capítulos são intensos, daqueles que você lê sem parar. Quando o cenário muda, entretanto, e a busca por Noah e respostas começa é que as coisas ficam um pouco devagar.

Os lençóis são nosso mundo, e neles ela é finita e infinita, bela e sublime, presa em meus braços e livre, sem limites ao mesmo tempo. […] Mara está livre de cordas, livre de limites, livre em meus braços. Finalmente.

Não entenda mal, não é que não tenha lá seus momentos de ação, ou que as personagens fiquem fracas na narrativa. Mas, em meio à um milhão de emoções, a parte mais “calma” (entre aspas mesmo) da narrativa é sempre mais fraca, principalmente quando comparada aos outros volumes. A calmaria dura algumas muitas páginas, páginas que nos dão respostas surpreendentes para perguntas que vínhamos fazendo desde o primeiro volume.

O que mais me deixou impressionada é o quanto vemos, com clareza, Mara Dyer diferente. Se no início ela era uma menina mulher forte, mas fixada no próprio casulo repleto de coisas inexplicáveis e assustadoras, agora ela já tem uma bagagem capaz de torná-la, como a própria autora diz, um dragão.

Não procure paz. Procure paixão. Encontre algo pelo que morreria mais do que algo pelo que quer viver.

Mara não é o tipo de personagem que espera as coisas acontecerem, ela tem mais atitude que todo mundo junto. Stella, super bem construída, assume um papel que leitores já estão um pouco cansados de ver: a boazinha. Mara, sendo ela mesma, nos faz acompanhá-la até em seus momentos mais cruéis. E, sim, eles existem.

Jamie também merece dedicação especial. Seu desenvolvimento é menos claro, mas seu humor e a relação com Mara (que não é romântica, relaxem, sem triângulos amorosos aqui) é muito bem escrita e elaborada. Noah fica em segundo plano, mas nem por isso menos apaixonante — fiquei tentada a marcar várias falas suas mais para o final do livro.

Creio que temos a responsabilidade de deixar o mundo melhor do que o encontramos.

Gostei também da dinâmica passado-presente, que a princípio nos faz questionar como vão se conectar. Por fim, mais para o final do livro, um capítulo alterna de pontos de vista de Mara e Noah de um jeito que me deixou sem palavras e muito animada. Podia simplesmente não ter feito sentido, mas não só fez, como foi perfeito.

Para mim, A Vingança de Mara Dyer foi o encerramento quase perfeito para a trilogia que conquistou meu coração de um jeito que poucos livros fazem. Foi bizarro, foi romântico, teve seu toque sobrenatural e foi muito bem explicado, ainda que em certos momentos você fique confuso com o que está acontecendo e o que é real ou não.

—Não tenho o direito de te querer.
 — Você tem todo o direito. A escolha é sua. É nossa.

Mas, se vamos ser honestos, são esses momentos de dúvida que sustentam o quê a mais da série desde o primeiro livro. Além de Noah, é claro.


NOTA DA TRILOGIA — ★★★★

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