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Crítica | Um Lugar Silencioso: Suspense recheado de “referências”, mas que ainda assim desaponta

“Quem seríamos nós se não pudermos protege-los?”


Dirigido e protagonizado por John Krasinsky, ao lado da esposa, Emily Blunt, Um Lugar Silencioso se propõe a ser um Thriller psicológico com mistura de elementos que nos fazem lembrar alguns longas e séries que também se encaixam no gênero terror diretamente ou que ao menos bebem um pouco da fonte deste, tais como Cloverfield (principalmente o primeiro) e a série Lost, por exemplo. Porém, decepciona em seu objetivo.

Em Cloverfield- o monstro podemos ver uma cidade inteira sendo destruída por uma criatura gigante, enquanto a população faz o possível para garantir sua sobrevivência. Em Um Lugar Silencioso assistimos uma família numa fazenda do meio-oeste americano também ser perseguida por criaturas monstruosas, num futuro apocalíptico, com a certeza de que sua única arma de defesa não é nada além do próprio silêncio.

Ambos apresentam um argumento similar com a exceção de que no primeiro o público não consegue ver a criatura de fato, pois é mostrado apenas algumas partes dela, criando dessa forma um mistério ao redor desta já que não tem como ter clareza a respeito da dimensão de perigo que os personagens estão enfrentando. O que não acontece em Um Lugar Silencioso cujo um dos propósitos, pelo que parece, é expor claramente quem são os antagonistas da trama.

A relação com a outra produção de J.J Abrams, a série Lost, concluída em 2010, se dá mais por uma questão de cenário e ambientação. No próprio trailer oficial do filme tem algumas cenas que remetem à série, tal como aquela que a filha do casal está deitada na areia e ao despertar se vê diante de uma mata deserta, que lembra muito a primeira cena de Lost quando o Jack acorda na ilha.

Além do enfoque no abrir dos olhos da personagem como também era muito comum na série, a fim de mostrar que aquele episódio seria contado a partir do ponto de vista daquele personagem específico e dessa forma, como se o telespectador fosse inserido na história ao deixar de enxergar os fatos com seu próprio olhar para enxergar com o do outro.

Os diálogos do filme são feitos praticamente todos através da linguagem de sinais e da expressão facial dos atores, o que aumenta o nível de dificuldade do trabalho deles, mas em contrapartida, exatamente por isso, realça o talento do elenco.

O plot da família também é outro ponto forte do longa, no qual a maior preocupação do casal Lee e Evelyn é a proteção e sobrevivência dos filhos acima da própria. Então, independente de todo terror, suspense, medo, agonia e ambiente de destruição apocalíptico que os cerca, o foco maior ali é a união e amor daquela família em meio ao caos que enfrentam.

Por isso que quando a filha do casal se responsabiliza pela morte do irmão mais novo, por ter permitido que ele ficasse com o brinquedo mesmo sabendo que o barulho que este causa poderia causar um sério risco a vida de todos, o pai deixa claro pra ela que jamais a culparia ou deixaria de amá-la por causa do acidente com o menino.

Apesar das inúmeras conexões que podemos fazer com outros filmes e séries do gênero (ou até de outros, quem sabe), Um Lugar Silencioso termina de forma decepcionante e desaponta aqueles que colocaram uma expectativa muito alta nele.

Observação: Quando falo de referências em qualquer crítica, não me refiro às intenções do diretor, roteirista, etc.. Porque, sinceramente, não sei se realmente se inspiraram naquilo que achei parecido e também, não tenho como ter certeza de todas as pretensões deles. Às vezes, eles deixam isso claro e às vezes não. E mesmo quando apontam diretamente as referências que buscaram de inspiração, não podemos saber se disseram absolutamente todas ou apenas algumas.

Além do fato que, muitas vezes, nos inspiramos em algo inconscientemente, sem nos dar conta. Tudo que a gente vê, lê, escuta, etc.. fica armazenado em nossa mente e por isso, às vezes achamos que estamos criando algo, mas na verdade, estamos apenas reproduzindo de uma forma nossa algo já criado. Afinal, não dizem que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”? Então!

Portanto, quando digo que algo tem referência de determinada coisa, estou me referindo às minhas próprias comparações. Ou seja, aquilo que o filme me remeteu ao assistir, as conexões que fiz de acordo com aquilo que conheço, independente de gostar ou não.

Entendido? Beijão de luz da tia <3

Estudante de Letras metida a astróloga graças (ou não) ao seu escorpião com ascendente em peixes e lua em aquário. Viciada em séries a ponto de se recusar a aceitar a "morte" de Lost até hoje. Precisa de injeções diárias de realidade pra não ser abduzida pela Terra do Nunca.

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