Literatura

Resenha | Your Name, de Makoto Shinkai e Ranmaru Kotone

Ainda que “alma gêmea” não seja a expressão abordada, foi a forma mais fácil que consegui resumir a relação entre Taki e Mitsuha. Mitsuha não está contente com a vida que leva: mora em uma cidade de interior, seu dia a dia escolar é pautado em um esforço para parecer invisível e quase todos os dias ela sente o peso da vida nas costas.

Por ser de uma família importante da cidade, existe uma pressão em cima de quem ela é e o que faz, regras que precisa seguir para ser exemplo para o resto da população. Sua irmã mais nova talvez seja a única capaz de aliviar um pouco esse peso — junto aos seus dois melhores amigos. Se ela pudesse fechar os olhos por um momento e pedir alguma coisa do fundo do coração, pediria para ter a confortável vida de um garoto em Tóquio.

É com a determinação do pedido que ela um dia troca de corpo com Taki, um garoto que vive uma vida boa em Tóquio, não costuma conversar muito com o pai e tem um emprego em um restaurante. Mas o que fazer quando você acorda em um corpo que não é seu? Como avisar alguém do que está acontecendo? Como convencer a si mesmo de que isso não passa de um sonho?

Tanto um quanto outro fazem o que podem fazer de melhor: seguir com a vida que seus corpos levavam. Um recado deixado por Taki no caderno de Mitsuha inicia a única forma de conversação dos dois: por mensagens. A troca, que ocorre de duas a três vezes por semana, é descrita em um diário no celular de cada um deles, fazendo com que ambos saibam o que aconteceu durante o dia que passaram trocados, já que nunca conseguem lembrar.

Your Name Mangá e Filme

É assim que Taki descobre que tem um encontro com uma garçonete, é assim que Mitsuha fortalece sua imagem na escola de forma que os colegas não mais se sintam livres para julgá-la. E é assim que ele se torna a pessoa que ela mais conhece e vice-versa. Uma aproximação que torna-se impossível de ser concretizada porque o tempo os separa.

Kimi no Na wa, o filme que inspirou o mangá, foi lançado em 26 de agosto de 2016 e pode ser assistido na Netflix. Tanto um quanto o outro são bem próximos e há pouca diferença entre as narrativas. Para quem não está acostumado a ler mangá (o que é meu caso), as cenas mais confusas — que misturam pensamentos, ações e variações de tempo — ficam mais fáceis de entender quando postas na linearidade do filme.

Acho que não tem como falar desse tipo de história sem pensar um pouco sobre aquela concepção de amor que diz que há apenas uma pessoa ideal para cada um de nós.

Your Name é lindo porque é uma ótima história de amor, bem fechada em si mesma, que deixa aquela noção de que a vida continua mesmo após seu fim e, apesar de não falar sobre um “felizes para sempre”, claramente é uma suposição que poderíamos fazer. E claro que fazemos.

Carioca apaixonada por marketing na casa dos 20 e tantos com uma grande incapacidade de ficar parada e uma vontade louca de conhecer o mundo.

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